Livros | Resenha - Juliette Society - Sasha Grey



Ok, vamos todos admitir que, quando falamos em Sasha Grey, um livro não é exatamente o que vem na nossa cabeça. Mas a ex-atriz pornô resolveu se arriscar no mundo da literatura em 2013, deixando muitas pessoas, inclusive eu, curiosas.
É mais do que claro que a literatura erótica está em alta (mesmo que a referência mais conhecida para o gênero atualmente seja a franquia 50 Tons de Cinza, infelizmente), então por que não um livro de uma autora que sabe do que está falando? Bem... Ao menos nos vídeos ela sabe o que está fazendo, hehe (desculpa, mãe).

Então, vamos ao que interessa. Juliette Society. A sinopse do livro é a seguinte:

"Se eu te contasse que existe um clube secreto, cujos membros pertencem à classe mais poderosa da sociedade – banqueiros, milionários, magnatas da mídia, CEO’s, advogados, autoridades, traficantes de armas, militares condecorados, políticos, oficiais do governo e até mesmo o alto clero da Igreja Católica –, você acreditaria? Este clube se reúne sem regularidade, em um local secreto. Às vezes em locais distantes e às vezes escondidos. Mas jamais duas vezes no mesmo lugar. Normalmente, nem mesmo duas vezes no mesmo fuso horário. E esses encontros, essas pessoas... não vamos enrolar, vamos chamá-las do que são, os Mestres do Universo. Ou o Braço Executivo do Sistema Solar. Então, essas pessoas, os Executivos, usam os encontros como uma válvula de escape do cansativo e estressante negócio de estragar ainda mais o mundo e criar novas maneiras sádicas e diabólicas de torturar, escravizar e empobrecer a população. E o que eles fazem em seu tempo livre, quando querem relaxar? Deveria ser óbvio. Eles fazem sexo."
Não sei vocês, mas quando li a sinopse, o livro não despertou muito interesse. Mas resolvi dar uma chance.

Juliette Society é contado a partir do ponto de vista da protagonista Catherine, uma jovem estudante de Cinema, que vive com o namorado Jack e tem uma queda por seu professor, Marcus. A maior parte do livro, em si, é as narrações de suas fantasias, hora com Jack, hora com Marcus. 
A forma como Sasha Grey desenvolve a história, principalmente no início, é interessante, pois ainda que Catherine esteja pensando ou descrevendo uma cena totalmente sexual, ela usa referências técnicas cinematográficas em vários momentos, fora as referências aos clássicos do cinema. Ela cita Hitchcock, 
Brigitte Bardot, usa referências a filmes como Psicose e Um Corpo que Cai. Para os amantes do cinema, isso é com certeza um ponto a mais.

É tentando fazer com que Marcus note-a que Catherine conhece Anna, colega de classe que pouco depois Catherine descobre que ela tem um caso com trocas de favores com Marcus. Anna conta a Catherine os desejos sexuais de Marcus mais peculiares que Catherine já havia visto, mas surpreendente mesmo são os segredos de Anna.

Jack, o namorado de Catherine, não é um dos mais presentes. Ele trabalha no comitê de Bob, um candidato a governador, e vive sempre ocupado, então ele não tem muito tempo para Catherine, por mais que ela tente, quase toda noite, transar com ele de alguma forma.

Claro que depois de um tempo a frustração seria maior, né? É aí que Anna apresenta a Catherine um lugar chamado Fuck Factory. O nome já é bem sugestivo, é um local onde pessoas vão para fazer sexo. Ponto.
Com todos, como quiser. Todos no mesmo local. É quase como uma orgia com muita, muita gente.
Não é a experiência do mais alto escalão para Catherine... Ainda.

Pouco depois ela consegue, novamente com a ajuda de Anna, entrar na Juliette Society. É quase como a Fuck Factory, mas com membros do mais alto escalão. Membros do Clero, da indústria petrolífera e, claro, políticos. 

A Juliette Society, ao contrário do que diz a sinopse, não é o foco do livro, ao contrário. É citada poucas vezes, e, na maior parte do livro, Catherine sequer tem conhecimento da organização. O foco é todo voltado para Catherine e suas experiências/fantasias sexuais.
Admito que isso me decepcionou um pouco, mas Sasha Grey cita, com detalhes, todas as experiências, sem cerimônia. É como se fosse um roteiro de um filme pornô. 

Eu não vou citar uma cena de sexo para vocês, seria um spoiler muito grande, mas aqui está uma citação de Catherine sobre a Juliette Society.

"(...) Essas pessoas, os Executivos, e não vamos usar eufemismos, são fodedores profissionais. Eles vão te foder para trepar contigo. Eles vão te foder para ficar por cima. Eles vão foder com o seu dinheiro, sua liberdade e seu tempo. E eles vão continuar te fodendo até você estar a sete palmos do chão. E então vão te foder um pouco mais (...)"

E bem, vamos dizer que essa é uma parte soft do livro.

Eu esperava mais, bem mais. No entanto o livro não me decepcionou, de forma alguma. Não é de forma alguma uma estreia ruim para Sasha Grey como escritora.

Eu daria uma nota 7/10.

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