Filmes | Resenha - Azul é a Cor Mais Quente (La Vie D'Adèle)

Essa é uma resenha que eu cogitei muito fazer em vídeo, achei que seria não apenas mais fácil, mas também muito interessante acrescentar cenas do filme para mostrar o crescimento dos personagens.
Mas não foi dessa vez porque a blogueira que vos fala é possivelmente a criatura mais tímida na frente de uma câmera.

A Vida de Adèle (particularmente, eu prefiro Azul é a Cor Mais Quente), é um drama francês, dirigido pelo diretor Abdellatif Kechiche, da Tunísia. O filme ganhou o Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2013 e é baseado em Le Bleu est une couleur chaude de Julie Maroh, um romance gráfico.



O filme de Kechiche possui um adendo no título chamado Capítulos 1 e 2, ou seja, baseia-se no início das descobertas de vida de Adèle. Começa quando ela tem apenas 17 anos, e está no fim do ensino médio, se descobrindo. A primeira vista, o filme não impressiona muito. Adèle se esforça ao máximo para viver um amor adolescente com um rapaz apaixonado por ela, mas não consegue muito além de se frustrar.

Então um dia, ao acaso, Adèle vê uma garota que chama sua atenção em uma praça. Com cabelos azuis e ao lado de outra garota. Apesar de não terem feito contato algum, Adèle não consegue parar de pensar nessa garota. E então, poucos dias depois, acompanhando um amigo em um bar gay, Adèle a encontra.






















Emma é maior de idade, estudante de Belas Artes e se torna fascinada pelos mistérios de Adèle.

Azul é a Cor Mais Quente é um filme polêmico. Ponto. Provavelmente, o mais polêmico de 2013. Mas é um filme maravilhoso. É uma história de amor que você sente que poderia ser real. Em momento algum há a sugestão de que há um conto de fadas acontecendo ou até mesmo a possibilidade de um final feliz, e, mesmo assim, o filme te prende do início ao fim. É envolvente, apesar de longo. Com quase 3 horas, ele não deixa perguntas sem respostas e nem deixa a sensação de incompleto. Termina exatamente onde deveria terminar.



O foco do filme é centralizado no romance de Emma com Adèle. Emma fazendo pinturas de Adèle nua e fazendo exposições, enquanto Adèle se forma no ensino médio e se torna professora. A família de Emma, com a cabeça aberta e amantes da arte, e a família de Adèle, que mantém as morais de uma família extremamente conservadora.

O marcante desse filme (não digo o principal, mas sim as cenas que chocam), são as cenas de sexo explícito. São cenas longas, cerca de 15 minutos cada, cruas, sem pudor, com muita nudez. É, basicamente, um pornô de arte (nada contra). O diretor conseguiu convencer a todos, durante as cenas, que as cenas de sexo eram reais.

É um filme realista. Há cenas de romance, mas não há muito "açúcar", assim como há, vez ou outra, cenas de bullying. Kechiche soube relatar com delicadeza e realismo cenas do romance na presença da família, bullying na escola, em uma das exposições de Emma e até mesmo durante uma parada gay.



Em todo o filme, só há uma coisa que me incomoda: O crescimento das personagens. O crescimento de Emma é altamente evidente. Tanto em seus cabelos como em suas pinturas. Ela abandona os cabelos azuis, dando a impressão de que a personagem está mais "adulta", e suas pinturas, antes com muito azul em evidência e com Adèle posando nua na maioria deles, agora ganha tons de vermelho e com outra modelo, logo após o rompimento de Emma e Adèle.

Adèle no entanto, continua a mesma. Em momento algum consegui perceber maturidade ou crescimento na personagem, mesmo que, em questão de idade, ela tenha evoluído bastante durante o filme.

A cinematografia é bonita. Kechiche se mostrou um diretor detalhista, deixando tons de azul em evidência em várias cenas, destacados ou não, durante todo o filme. Desde detalhes pequenos até momentos que a cor ocupa quase todo o quadro, e isso me impressionou bastante.

Como eu disse, é um filme maravilhoso. São 3 horas que fluem bem. Boatos que as atrizes só leram o script uma vez, e quase todas as cenas foram improvisadas. O que deixou o filme ainda mais natural. As protagonistas, Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos impressionaram MUITO na atuação.



Nota 4,5/5.

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