Filmes | Resenha - RoboCop (2014) - José Padilha

Vamos começar o post dizendo que o José Padilha não pegou uma tarefa fácil. Fazer uma refilmagem de um clássico do cinema que revolucionou os filmes de ação é uma tarefa complicada, ainda mais em pleno 2014, 27 anos depois do original e com tudo que a tecnologia tem a oferecer para produções cinematográficas.
Mas devo dizer também que não estou nem um pouco decepcionada.



Bem, o filme se passa no ano 2028 e a segurança mundial agora conta com drones e robôs no combate ao crime, com acesso a dados do governo e capazes de reconhecer automaticamente um criminoso ao se encontrar com um, ou até mesmo um cidadão sem passado criminal, mas que esteja representando alguma ameaça, como porte de arma de fogo, por exemplo. No entanto, os Estados Unidos, esses drones e robôs são proibidos nas ruas. O motivo? Bem, caso ele precise matar uma criança, por exemplo... Ele sentirá algo?

Essas questões são levantadas durante o filme em um programa de TV, onde Pat Novak (Samuel L.Jackson) interpreta como ninguém o apresentador que defende fielmente a necessidade de tais robôs nas ruas.



É aí então que a OmniCorp encontra a solução que o governo dos EUA queria: Alguém com sentimentos humanos, que pense e tome decisões como um, mas com habilidades e capacidade de proteger a população como um robô. É aí que entra o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman), pós tentativa de homicídio com sequelas gravíssimas e que tem sua vida salva pelo Dr. Norton (Gary Oldman), com um plano apresentado pelo CEO da OmniCorp Raymond Sellars (Michael Keaton) para convencer o governo que eles tem o robô perfeito para as ruas dos EUA, que, claro, quer faturar muito com isso.
E é aí que "nasce" o RoboCop.

Depois desse breve resumo (quase desnecessário, devo dizer, já que a história do RoboCop é bem conhecida), minha opinião: Eu li algumas críticas (a maioria, negativas) sobre o filme antes de vê-lo. Sinceramente, eu não entendo o por quê. O filme, claro, não substitui de forma alguma o original, de 1987, mas também não é um filme ruim. A história é contada no tempo certo: Sem enrolações, mas sem deixar "buracos". Durante o enredo, não deixa dúvidas. Também adorei a cinematografia: Enfatizando o ponto de vista do filme, alternando nas cenas de ação entre o ponto de vista do público e o ponto de vista do Robocop com os acessos que ele tem aos dados sobre os cidadãos e criminosos.



Infelizmente não há muita violência gráfica. Não espere um drone matando brutalmente alguém a tiros e ver sangue jorrando pelo chão e órgãos expostos. Infelizmente a MGM (atual dona da propriedade intelectual da Orion Pictures) e a Sony (distribuidora e dona da MGM) obrigaram que Padilha abaixasse a classificação etária do novo RoboCop (em 1987 a censura era 18 anos) para que o filme alcançasse um público maior. No entanto assista com a certeza de que você vai ver alguns pulmões expostos (até demais) em alguns momentos.

Eu adorei a direção do Padilha (Tropa de Elite). Apesar de ter achado os dois primeiros minutos de filme idênticos a Elysium (clique para ler a resenha!), dirigido por Neill Blomkamp, o filme logo ganhou o jeito do diretor, às vezes sendo fiel ao original, e às vezes com toques pessoais de Padilha. E esse elenco? Adorei Kinnaman como Robocop (apesar de ter achado que faltou animação na atuação em algumas cenas), fora Samuel L. Jackson e Michael Keaton complementando o elenco. Mas meu destaque pessoal vai para Gary Oldman: Ainda não sei bem o por quê, mas esse foi um dos meus papéis favoritos do ator.



Como nem tudo são flores, há sim seus pontos negativos. A família de Murphy aparece com uma frequência desnecessária (o que é até compreensível se levarmos em conta que não é todo dia que seu marido e pai de seu filho vira um robô a serviço do governo), mas muitas vezes acaba por quebrar o clima do filme. Eu esperava mais ação, também. Mas o que realmente deixa a desejar é a cena final, praticamente deixada em aberto. É como se o filme todo tivesse sido produzido meticulosamente, e o final tivesse sido feito às pressas. É um final bem, bem fraquinho, mas que deixa com quase certeza de que haverá uma continuação. Também não gostei muito da armadura preta, sei que assim como várias pessoas, prefiro a clássica, mas não se preocupem que isso não é um fator decepcionante, no fim das contas.

Eu recomendo porque, como citei no início, me diverti bastante com o filme. Eu assisti no dia que o filme estreou no Brasil, então fui sem spoilers e assisti do início ao fim como uma criança animada vendo desenho animado.

Nota: 8,3/10.

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