Tecnologia | Redes Sociais x Privacidade

Pra quem não sabe, eu sou acadêmica de Tecnologia em Segurança da Informação, então eu sempre me interesso e procuro bastante sobre o assunto. Mas se engana quem pensa que só quem precisa se preocupar com a segurança de dados na web são os profissionais de TI.

Já vamos começar falando uma coisa: Teu facebook não vai mudar de cor. Não adianta, pare de clicar no link e espalhar vírus para "fulano e mais 44 pessoas". Markinho quis ele azul e azul é o que ele é. A gente agradece. O mesmo vale para aqueles links que prometem fazer você emagrecer. Já tenha em mente também que se você mandar nudes no whatsapp e no snapchat, a chance de vazar é bem alta.

Antes de tudo, é preciso ter em mente o seguinte: Nenhum tipo de segurança é inquebrável, nenhum app é a prova de hackers, portanto nada na web é 100% seguro. Kevin Mitnick, um cara que eu admiro bastante, considerado o maior Engenheiro Social do mundo e autor do livro "A Arte de Enganar", afirmou o seguinte: "O fator humano é o elo mais fraco da segurança". Desnecessário dizer o quão certo ele estava.

Quem nunca teve um amigo que publicou no seu mural ou adicionou uma marcação sua em um link no mínimo, curioso? Coisas como "Como mudar a cor do seu facebook", "como emagrecer" ou até mesmo "como ganhar dinheiro na internet". A partir daí, a gente já vê o quão comum é ter seu dispositivo ou sua conta infectada por um malware. Aconteceu com você? Não tem problema. Basta trocar sua senha, scanear seu pc a procura de vírus e tá tudo certo. Há antivírus, como o Norton, por exemplo, que tem inclusive a opção de scanear o seu mural do Facebook. Útil, não? Evitar clicar nesses links é sempre uma boa. Até porque a pessoa que o publicou, não é notificada que sua conta está sendo utilizada para publicar esses links sem sua autorização.

Cuidado com o que você publica. Nada de ódio gratuito nas redes sociais. Mensagens com conteúdo preconceituoso, racista ou vazando informações de terceiros podem te trazer sérios problemas. Outra coisa é zoar coisas sérias demais. Alguém aí lembra da garota que mandou um tweet para a American Airlanes brincando, dizendo ser do Afeganistão, membro da Al Qaeda e dizendo que dia 1º de Junho aconteceria algo grande? Ela foi presa hoje.




E convenhamos, ninguém quer ser processado ou preso por causa de um tweet.

Redes como LinkedIn e Foursquare podem ser perigosas se mal utilizadas. Evite check-ins que exponham sua rotina (como sempre fazer check-in no mesmo horário e no mesmo lugar com frequência), e, se possível, faça check-in ao sair, e não ao chegar. Outra coisa são as redes que te deixam vulneráveis a ataques de Engenharia Social (não apenas a você, mas também a sua empresa), como o LinkedIn.

Agora preocupante mesmo é a quantidade de fotos íntimas que tem vazado na internet. Como eu disse antes, nenhum app é 100% seguro, e isso inclui Whatsapp e Snapchat por exemplo. Claro que tem muita gente que faz isso já sabendo do risco e querendo atenção mesmo, mas algumas pessoas realmente são vítimas quando seu dados vazam na internet. Prova disso é o número de suicídios ocorridos nos dois últimos anos, e o número de pessoas buscando ajuda. De acordo com dados da ONG Safernet, que trabalha em parceria com a Polícia Federal, só em 2013 foram 101 pessoas que procuraram ajuda pelo Helpline Brasil denunciando dados íntimos que foram expostos na internet.

E pra quem gosta de divulgar dados alheios: É crime. O ato pode ser classificado como difamação (imputar fato ofensivo à reputação) ou injúria (ofender a dignidade ou decoro), segundo os artigos 139 e 140 do Código Penal.
Lembra da lei Carolina Dieckmann? A Lei 12.737, em vigor desde abril, criminaliza a invasão de dispositivo informático alheio para obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular. Quem tiver essa conduta pode pagar multa e ser preso por três meses a um ano.
Ênfase nos casos envolvendo menores de 18 anos: O artigo 241 A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) qualifica como crime grave a divulgação de fotos, vídeos ou imagens de crianças ou adolescentes em situação de sexo explícito ou pornográfica. Prevê pena de 3 a 6 anos de reclusão e multa para quem publicar materiais que contenham essas cenas com menores de 18 anos de idade.

De acordo com a Safernet, só na faixa etária entre 13 e 15 anos, o nº de "nudes" atinge 35,71%, superando a faixa entre 18 e 25 anos, com 32,14%.

E nem tudo no Marco Civil da Internet nos afeta de modo negativo. De acordo com seu artigo 21, a vítima pode pedir ao provedor a retirada de conteúdo próprio de nudez, sem a necessidade de advogado ou de recorrer ao judiciário.

Não querendo soar como a tia chata que te manda tomar cuidado na internet (mas já soando): O corpo é seu e você sabe o que fazer com ele. O mesmo vale pras pessoas que fazem brincadeiras na internet sem se preocupar com as consequências. Mas só porque hoje a facilidade de acesso e publicação é anos luz a frente do que era alguns anos atrás, não significa que é possível sair impune de tudo. Às vezes um tweet, um post ou qualquer upload indevido pode acabar, literalmente, com a vida de alguém.


Fonte dos dados da Safernet: G1.

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