Crítica - Batman vs Superman - A Origem da Justiça (sem spoilers!)

E finalmente temos em cartaz o filme que todos acreditam que vai estabelecer uma nova fase da DC Comics no cinema. E a ansiedade era promissora: Atualmente é a maior abertura da Warner nos cinemas dos Estados Unidos. Mas afinal, Batman vs Superman vale a pena?


Quem já está familiarizado com os filmes da DC sabe que a ambientação dos filmes é diferente - mais adulto, mais sério e um pouco mais sombrio - do que os filmes da Marvel (portanto sem comparações, por favor!), logo Batman vs Superman é diferente das adaptações cinematográficas de HQs que vimos nos últimos anos.

Em Batman vs Superman acompanhamos:
  •  Batman/Bruce Wayne (Ben Affleck) agora um pouco mais velho, com alguns conflitos internos e ainda sem superar a morte dos pais. Como já sabemos, o filme é baseado no Batman de Frank Miller - Mais violento, mais sombrio e mais instável; 
  • Superman (Henry Cavill)- que é um dos motivos da volta da fúria de Batman depois da batalha contra General Zod em Man of Steel que resultou em Metropolis completamente destruída e várias mortes, inclusive em um dos prédios da Wayne Enterprises e que agora é enfrentado pelo governo quanto ao uso de seus poderes;
  • Lex Luthor (Jesse Eisenberg)- Um bilionário sociopata com complexo de deus que força um perfil ameaçador, com seus diálogos desconexos e discursos prontos, e que tenta obter acesso a kryptonita que pode enfraquecer e até matar Superman.


Começando por um dos fatores mais neutros do filme, a atuação tem pontos fortes e pontos bem, bem ruins. O Batman de Ben Affleck surpreende de forma agradável com uma atuação que corresponde ao personagem desenvolvido por Frank Miller em O Retorno do Cavaleiro das Trevas, violento e que até chega a matar quando é necessário, mas decepciona com um Bruce Wayne um tanto quanto inexpressivo. 

Henry Cavill volta como Superman, da mesma forma que já havíamos visto anteriormente, mas agora um pouco mais frio devido à culpa pelas mortes do qual é acusado depois da batalha com General Zod. 

Gal Gadot é uma ótima Mulher Maravilha, e apesar de aparecer pouco no filme, não desaponta em momentos de batalha e luta como uma verdadeira amazona. Meu problema com a Mulher Maravilha ainda é puramente estético, seria mais agradável e até fiel ao personagem se tivessem desapegado da escolha de uma atriz com padrão de corpo de modelo que não condiz em absolutamente nada com uma guerreira amazona. Mas admito que a atuação me surpreendeu.

No entanto, a verdadeira decepção do filme é o Lex Luthor de Jesse Eisenberg. O desenvolvimento do personagem é ruim, fraca e que em nada condiz com o personagem dos quadrinhos. A constante tentativa de Lex Luthor em intimidar é falha, os diálogos são ruins e os discursos são cansativos. As falas do personagem chegam a causar vergonha, é quase como se os diálogos tentassem demais para um ator que não está tentando atuar de acordo. Os ápices da atuação de Eisenberg são todos vistos no trailer e mesmo assim, não são bons.



Mas talvez a grande falha do filme seja o roteiro. O filme tinha tudo para dar certo, se não fosse pelo roteiro bagunçado, cheio de furos e desconexo. O início do filme (que chega a durar mais de uma hora) é lento, arrastado, massivo. São vários acontecimentos ocorrendo com personagens diferentes, em locais diferentes porém ao mesmo tempo mas que não se unem de alguma forma e que sequer apresentam alguma explicação. 

A apresentação dos personagens é ruim, é como se tivéssemos perdido os primeiros minutos de filme e tivéssemos pegado a história já esclarecida. Por exemplo, nas primeiras cenas onde Diana Prince aparece, não há necessidade e ela só está presente para que Bruce Wayne note sua existência. Fim. Não há uma razão ou explicação para os personagens estarem onde estão ou para fazerem o que estão fazendo. A narrativa é péssima, ao ponto de te fazer sentir vontade de sair da sala do cinema. 
Outro ponto ruim na entrega dos personagens é a forma como os personagens dos futuros filmes (como Flash e Aquaman) são apresentados. É como se fossem pequenos teasers dentro do filme que, novamente, ficaram desconexos e seria melhor se não estivessem ali.


Já a direção não é de todo ruim, e talvez até seja o menor dos problemas do filme. O problema está apenas nas cenas da narrativa da história, onde não há muita ação acontecendo. A protagonização em Lois Lane (Amy Adams) é tanta que muitas vezes esquecemos que esse é um filme de super heróis. O foco nela é desnecessário e muitas dessas cenas poderiam ser retiradas sem causar muito impacto no restante do filme. Mas o maior problema ainda é a quantidade de clichês. O filme é um eterno "namorada em perigo que precisa ser salva". Em certos momentos a sensação era de estar assistindo a um filme de Michael Bay, e não do Zack Snyder.

Outra grande decepção é a batalha que daria o título ao filme: O de Batman contra Superman. É tola, rápida, mal feita, sem graça e completamente evitável. Não há um grande motivo, e nem pode sequer ser considerada uma verdadeira luta ou um dos principais atos do filme. E, novamente, com Lois Lane presente sem necessidade alguma. Já a batalha final começa mais equilibrada, e finalmente vemos Mulher Maravilha em ação. O grande problema é seu desfecho e seu vilão, onde não vou entrar em detalhes para evitar spoilers.


Já o ponto que eu posso dizer que é excelente em Batman vs Superman é a cinematografia. A fotografia do filme é linda. Esse é o ponto impecável do filme onde não vi defeitos. Nas cenas onde há a controvérsia sobre a fé do povo e se Superman deveria ou não ser exaltado como um "Deus", a iluminação trabalha de uma forma incrível, criando uma atmosfera quase que celestial para emoldurar o personagem, e essa "adaptação" da cena ocorre com vários personagens. É possível sentir o desconforto nas cenas com Lex Luthor e uma fotografia sombria e esmaecida nas cenas com Batman. Os efeitos especiais também foram maravilhosos, na dose certa.


Para mim, foi uma tentativa que começou bem e durante o filme simplesmente desandou. Há vários fãs de HQs da DC dizendo que os furos no roteiro estão presentes nos quadrinhos, e que funciona bem assim. Mas é necessário lembrar que essa é uma adaptação cinematográfica e que a informação é entregue de formas diferentes dependendo da plataforma, logo a função primordial do roteiro era adaptar bem a história para que agradasse não apenas aos fãs dos quadrinhos ou que já conhecem as histórias da DC de várias formas, mas sim ao público do cinema no geral. Esse é um filme que marca o novo início do universo da DC no cinema, logo não deveria haver essa espécie de "pré requisito".


Logo, o filme soou como uma espécie de desespero, gritando essa necessidade de se estabelecer contra o que já temos no cinema. O filme agrada, na maioria, quem já é familiar com as histórias dos personagens e quem já leu pelo menos algumas HQs, especialmente as de Frank Miller, mas não vai mais longe que isso. Não é um filme que decepciona no total, mas não corresponde as expectativas. É para um público bem específico.

É simples: Se você gosta de filmes de super heróis mais sérios, mais sombrios e violentos que não tem a necessidade de forçar cenas de humor, é provável que você vá gostar. Se você prefere filmes de 
super heróis onde você não precisa se policiar se você pode ou não assistir com seu filho, por exemplo, e que você terá cenas onde você vai rir mas também terá batalhas, fique com os filmes da Marvel. Se você é como eu, apenas um fã de cinema sem essa necessidade de escolha de lados, é possível que você verá vários e vários defeitos no filme... Mas isso não vai necessariamente tirar toda a diversão da experiência.



Nota: 5,5/10.

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