Filmes | Análise - Mogli, o Menino Lobo (2016) - (The Jungle Book)

Criar um remake live-action de um dos desenhos mais clássicos da Disney não é uma tarefa fácil, e essa foi a proposta de Mogli, o Menino Lobo (2016). Altamente fiel a animação original, o filme conta a história de Mogli, um garoto que quando bebê foi encontrado por Baguera, uma pantera, no meio da selva e então foi levado a uma alcateia para viver a vida como um lobo.


Aceito pelos lobos como parte da família, Mogli tenta se adaptar até que a seca atinge a selva e todos os animais do local adotam a "trégua da água", tradição onde os animais possuem um acordo de paz até a época da chuva retornar, além de se reunirem em um lago, única fonte de água do lugar na seca. No entanto, é nessa reunião que o tigre Shere Khan percebe a existência do "filhote de homem", e como vingança a um trauma pessoal, jura Mogli de morte assim que a seca terminar.


Com a promessa de que várias vidas seriam tiradas até que Shere Khan conseguisse tirar a sua, Mogli decide abandonar a alcateia para protegê-los e com a ajuda de Baguera tenta chegar até a aldeia dos homens.

A humanização dos animais durante a trama é impressionante. Durante sua travessia na selva, mesmo com a ajuda de Baguera, vários animais tentam enganar Mogli para usar suas habilidades a seu favor, como para conseguir comida, por exemplo. A construção dos personagens é incrível, até mesmo para personagens que aparecem até por um curto período de tempo, sendo sempre uma adição positiva a história.


O apego é sempre enfatizado, os animais demonstram seus sentimentos sempre mostrando que Mogli é parte da família. Como público, é possível sentir a dor da partida de Mogli ao se separar da alcateia, e os momentos de tensão e perigo nas partes mais tensas da selva. Há uma verdadeira imersão do espectador em várias cenas de uma forma incrível. Outro aspecto enfatizado é a cultura e as tradições que os animais possuem entre si, tratando algumas espécies de forma honrosa e agradecida por seus feitos na selva.


Apesar de ser uma animação realista e live action, Mogli é nostálgico e traz as mesmas sensações que o desenho de 1967. É uma releitura moderna, porém mantendo os traços clássicos, agradando tanto a um público novo como quem já apreciava o filme original.

Não posso opinar sobre as dublagens, mas a atuação de Neel Sethi merece ser destacada. O papel simplesmente foi feito para ele, em nenhum momento me senti decepcionada pela atuação - pelo contrário, me impressionei bastante. O ator tem apenas 12 anos e conseguiu protagonizar um clássico sem falhas, de uma forma bem carismática. A quem se interessar, a dublagem original conta com vários atores incríveis, como Bill Murray, Scarlett Johansson, Idris Elba, Giancarlo Esposito e Ben Kingsley.


O ponto negativo do filme fica por conta das canções. Por mais que tenham situações em que foram perfeitamente situadas em suas cenas - como "Somente o Necessário", clássico de Mogli e Baloo, - há cenas com canções deslocadas que não ajudam a construir o personagem e, pior, há bem menos canções que no original.

Outro ponto negativo é a existência de uma faixa etária. A Disney soube retratar de uma ótima forma a vida de Mogli na selva, mostrando que há perigos e que animais caçam e ameaçam, por isso - e também pelo fato do CGI estar de parabéns, afinal os animáveis estão impecavelmente realistas - o filme pode assustar crianças pequenas e não é recomendado para menores de 10 anos.

Mogli, o Menino Lobo atendeu todas as minhas expectativas. O clássico de 1967 foi meu filme favorito quando criança, por isso esperava demais do remake e não me decepcionei. Recomendo, não apenas para crianças, mas também aos adultos que cresceram com as animações clássicas da Disney.

Nota: 9/10

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